16º Congresso Brasileiro de Clínica Médica

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Dados do Trabalho


Título

LINFOMA DE BURKITT ASSOCIADO A HIV: UM RELATO DE CASO

Fundamentação/Introdução

Em países com economia em desenvolvimento, o câncer é a principal causa de morte em pessoas infectadas com HIV, a despeito da terapia antirretroviral. Nesse viés, destacam-se os linfomas como principal causa de morbimortalidade, podendo ser do tipo Hodgkin ou não Hodgkin, como, por exemplo, o linfoma de Burkitt.

Objetivos

Evidenciar a relação entre a imunossupressão por HIV no desenvolvimento de neoplasias, sobretudo o linfoma de Burkitt.

Delineamento e Métodos

Realizou-se estudo de caso clínico.
Paciente feminina, 28 anos, negra, residente de Itaperuna/RJ, encaminhada ao serviço de clínica médica após resolução do quadro de infecção por COVID-19 devido à presença de massa endurecida em região inguinal esquerda. Em fevereiro de 2021, apresentou quadro de sintomas gripais leves e foi diagnosticada com infecção aguda por SARS-CoV 2. Durante internação, observou-se massa endurecida de aspecto inflamatório em raiz de coxa esquerda associada a edema infiltrativo por todo membro inferior esquerdo. Paciente não fazia uso de medicação regular. Quanto à história patológica pregressa, tem-se obesidade e HIV há, aproximadamente, 10 anos com abandono deliberado do tratamento há 7 anos. Ao exame físico, regular estado geral, em membro inferior esquerdo, presença de massa endurecida aderida a planos profundos da pele, alcançando regiões suprapúbica e inguinal esquerdas, além de linfedema infiltrativo iniciando-se em raiz e estendendo-se por toda a coxa, com pulsos de difícil palpação. Diante do exposto, levantou-se hipótese de celulite complicada por abscesso no local e trombose venosa profunda associada.

Resultados

Biópsia local apontou intensa proliferação celular, algumas com núcleos fusiformes atípicos, figuras de mitoses, envolvendo vasos e fendas vasculares com hemácias, sugestivo de sarcoma de Kaposi. Após imuno-histoquímica, constatou-se linfoma de células B de alto grau, compatível com linfoma de Burkitt. Doravante, encaminhou-se a paciente ao serviço de oncologia, onde foi realizado tratamento com metotrexato intratecal e dois ciclos de R-CHOP. Evoluiu com aplasia de medula óssea, choque hemorrágico e óbito em 13/06/2021.

Conclusões/Considerações Finais

Diante do exposto, compreende-se que pacientes infectados por HIV são mais suscetíveis ao desenvolvimento de linfomas. É mister salientar que, nestes casos, o linfoma é mais frequentemente encontrado em pacientes com doenças avançadas.

Palavras Chave

Linfoma de Burkitt, HIV, Imunossupressão

Área

Clínica Médica

Autores

ISABELLA PICANÇO RAMOS LOPES, THAÍS MENEZES ABREU, EDUARDO SILVA AGLIO JUNIOR, ISABELLA JARDIM MOREIRA