16º Congresso Brasileiro de Clínica Médica

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Dados do Trabalho


Título

Paracoccidioidomicose em Sistema Nervoso Central – Relato de Caso

Fundamentação/Introdução

O Paracoccidioides brasiliensis é responsável por infecções em diferentes órgãos, sendo que o acometimento em sistema nervoso central (SNC) é descrito entre 10-27% dos casos.

Objetivos

Paciente masculino, 50 anos, procedente do interior do estado de São Paulo (zona urbana). Apresenta fraqueza em membros inferiores há 7 dias (progressiva), com dificuldade de deambulação, acompanhadas de parestesia em dedos de mãos e pés. Sem cefaleia/febre.
Há 30 dias do início dos sintomas, apresentou quadro febril (39ºC), com prostração, mialgia e diarreia (sem produtos patológicos) e resolução espontânea em menos de 7 dias. Sem diagnóstico definitivo.
Paciente é empresário, frequenta zona rural aos finais de semana.

Delineamento e Métodos

Exame físico: consciente e orientado, leve desvio de rima para a direita; força grau 3 em membro inferior esquerdo, grau 4 em membro inferior direito e membros superiores. Sem alterações em sistema respiratório, cardíaco e trato gastrointestinal.
Para investigação de quadro neurológico, realizadas neuroimagem e coleta de líquor.
Tomografia e ressonância magnética de crânio sem alterações. Líquor com leucócitos 10, Proteína 147 e glicose 63. Estruturas leveduriformes sugestivas de Paracoccidioides sp.

Resultados

Feito o diagnóstico de Paraccodiodomicose em SNC, paciente recebeu tratamento com Anfotericina B por 14 dias e Sulfametoxazol+trimetroprim (SMT+TMP). Apresentou reação alérgica importante ao SMT+TMP, optado por dessensibilizacao ambulatorial e utilizado fluconazol (por 14 dias). Houve sucesso na dessensibilizacao. Paciente esta há 1 ano em uso SMT+TMP com resolução total dos sintomas – programação de tratamento mínimo por 3 anos.

Conclusões/Considerações Finais

A Neuroparaccocidioidomicose é uma forma rara e de difícil diagnóstico. Na maioria das vezes, apresenta-se como lesões psudotumorais, com resultado encontrado através de biópsia. O caso relatado destaca-se pela ausência de lesões expansivas em SNC e achado do fungo em líquor – que é incomum, ocorrendo em cerca 16,3% dos casos.
O tratamento nas formas graves é com Anfotericina B, e há outras opções possíveis, o SMT+TMP e o itraconazol. Neste caso, o itraconazol não se destaca como possibilidade de droga pela sua absorção errática em SNC, motivando a escolha do fluconazol - droga incomum no tratamento de paracocciodomicose mas com efetiva passagem em SNC.
Destaca-se, no caso, uma forma incomum de importante micose brasileira.

Palavras Chave

Sistema nervoso central
Paracoccidioidomicose
Tratamento
Neuroparacoccidioidomicose

Área

Clínica Médica

Autores

JULIANA PASQUINI FERRAZ MONFARDINI, FERNANDA BOCCHI MONTEIRO, HÉLIO Akinori Kitagaki JUNIOR, THAIS MARQUES SANCHES GENTIL, ANTONIO CAMARGO MARTINS