16º Congresso Brasileiro de Clínica Médica

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Dados do Trabalho


Título

Relato de Caso: IgM para COVID-19 falso positivo por possível reação cruzada com fator reumatoide em dois pacientes portadores de artrite reumatoide

Fundamentação/Introdução

A pandemia da COVID-19 trouxe a necessidade de testes precisos e eficazes para o diagnóstico da doença. Além do RT-PCR, teste considerado padrão-ouro, uma alternativa foram os testes sorológicos (IgM e IgG), mais acessíveis, contudo, com limitada sensibilidade e sujeitos a resultados falso-positivos (FP).

Objetivos

Relatar e discutir dois casos de pacientes internados com suspeita de COVID-19 com resultado FP de sorologia IgM para a doença possivelmente associados aos altos títulos de fator reumatoide (FR).

Delineamento e Métodos

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Resultados

Caso I – AMMN, 56, feminino, portadora de artrite reumatoide (AR), apresentou dispneia súbita, dor torácica ventilatório-dependente, edema de membros inferiores e saturação de oxigênio (SpO2) na admissão de 84% em ar ambiente. O teste rápido para COVID-19 evidenciou IgM positivo e IgG negativo. O D-Dímero estava acima do valor de normalidade para a idade e a Angiotomografia de Tórax confirmou o diagnóstico de tromboembolismo pulmonar. O RT-PCR para SARS-CoV-2 foi negativo e a dosagem do FR de 648 UI/ml. Três semanas após, um novo teste sorológico para COVID-19 demonstrou persistência da positividade do IgM e manutenção de IgG negativo. Caso II – JB, masculino, 81 anos, portador de AR, apresentou febre aferida de 37,8°C associada a dor lombar e fadiga com dois dias de evolução. Na admissão a SpO2 estava em 97% e não apresentava sintomas respiratórios. O teste sorológico para COVID-19 revelou IgM positivo e IgG negativo, com RT-PCR negativo. A Tomografia Computadorizada de Tórax não era sugestiva de pneumonia viral e a dosagem do FR foi de 215,3 UI/ml.

Conclusões/Considerações Finais

A técnica de detecção de anticorpos IgG/IgM para diagnóstico da infecção aguda pelo SARS-CoV-2 sofre influência de diversos fatores, entre eles, o momento de sua coleta. Há evidências na literatura sobre a interferência entre o FR e os testes sorológicos do tipo IgM para SARS-CoV-2 pelos métodos GICA e ELISA. A reação cruzada acontece especialmente em altos títulos de FR (>70 IU/mL), como observado nos casos apresentados. A AR é uma doença associada com um grande espectro de manifestações pulmonares, incluindo o acometimento parenquimatoso, pleural e de vias aéreas, que no contexto de uma pandemia respiratória torna-se diagnóstico diferencial relevante. Os casos relatados sugerem que a reatividade cruzada do teste IgM com o FR em altos títulos plasmáticos pode confundir o diagnóstico exigindo uma interpretação cautelosa.

Palavras Chave

COVID-19. SARS-CoV-2. Fator reumatoide. IgM. Artrite reumatoide.

Área

Clínica Médica

Instituições

Universidade Federal do Paraná (UFPR) - Paraná - Brasil

Autores

EDUARDO DE SOUZA SOMENSI, THOMAS FRANCISCO DE SOUZA, ANSELMO CARDOZO NUNES FILHO, ANA LUISA WOIDELLO MIYAZIMA, VALDERÍLIO FEIJÓ AZEVEDO