16º Congresso Brasileiro de Clínica Médica

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Dados do Trabalho


Título

PANCREATITE ASSOCIADA A HIPERTRIGLICERIDEMIA: RELATO DE CASO

Fundamentação/Introdução

A hipertrigliceridemia é a terceira maior causa de pancreatite aguda, cuja mortalidade é alta e provoca grande impacto na saúde pública. Não há tratamento específico, objetivando-se a terapêutica padrão para pancreatite e redução rápida dos níveis de triglicerídeos. Deve-se atentar para causas secundárias, como, obesidade, alcoolismo e diabetes.

Objetivos

Relatar o caso de paciente admitido em hospital público de São Paulo/SP, que desenvolveu pancreatite associada a hipertrigliceridemia > 10.000 mg/dL.

Delineamento e Métodos

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Resultados

G.M.S., 43 anos, masculino, admitido em hospital público de São Paulo/SP, em 15/04/21, queixando-se de hiporexia, polidipsia, vômitos e dor abdominal difusa há cinco dias, além de perda ponderal importante. História pregressa de diabetes não insulino-dependente e adenocarcinoma de sigmóide (ressecado em dezembro/2020, em quimioterapia adjuvante). Ao exame físico, mal estado geral, desidratado 2+/4+, sonolento, abdome tenso e doloroso à palpação.
Exames laboratoriais evidenciaram hiponatremia (105), hiperglicemia (333), acidose metabólica (pH 7,0 HCO3 5,8 PCO2 23, BE -24), e urina 1 com corpos cetônicos 3+, compatível com cetoacidose diabética (CAD). É iniciado, portanto, protocolo de tratamento. Tomografia computadorizada de abdome mostra pâncreas difusamente aumentado e densificação da gordura peripancreática. Exames complementares evidenciaram triglicérides de 11.323 e amilase de 1.193. Tais achados em conjunto inferem diagnóstico de pancreatite aguda associada a hipertrigliceridemia.
No mesmo dia, paciente evolui com insuficiência respiratória aguda, demandando intubação orotraqueal. Após três dias, manteve refratariedade da CAD, apesar de terapêutica adequada, e apresenta piora infecciosa associada a disfunção renal aguda KDIGO 3, com necessidade de droga vasoativa. Iniciada antibioticoterapia de amplo espectro e, a despeito da redução expressiva dos triglicérides (última dosagem de 600) e negativação dos corpos cetônicos em urinálise, manteve-se em acidose metabólica grave e evoluiu para óbito no 4º dia de internação.

Conclusões/Considerações Finais

A hipertrigliceridemia pode ser uma condição fatal, assim como ocorreu neste caso. Níveis muito elevados de triglicerídeos culminaram em pancreatite aguda grave e óbito secundário aos diversos distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos associados à falência pancreática e resposta inflamatória sistêmica.

Palavras Chave

Área

Clínica Médica

Autores

BEATRIZ ZEITUNE DE SOUZA TOLEDO, JOSÉ HIAGO DE FREITAS DAMIÃO, MIRSAIL GABRIEL DA SILVA NETO, THAYNARA MORAIS GARCIA DA SILVA, WILDER DIAS PACHECO