16º Congresso Brasileiro de Clínica Médica

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Dados do Trabalho


Título

Intoxicação grave por cogumelo Amanita muscaria - Relato de caso

Fundamentação/Introdução

A Amanita muscaria é um cogumelo de origem euro-asiática que tem como característica o chapéu vermelho com manchas brancas. Apresenta em sua composição ácido ibotênico, muscimol e muscasone, substâncias alcalóides que podem resultar em um amplo espectro de sintomas muscarínicos e colocar a vida do paciente em risco

Objetivos

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Delineamento e Métodos

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Resultados

Descrição do caso: Paciente masculino, 40 anos, foi admitido na emergência com sudorese, bradicardia, fasciculações musculares e alteração do nível de consciência. Relatou ingesta há 1 hora de cogumelos coletados na natureza para uma refeição. Evoluiu com convulsão refratária ao tratamento inicial, sialorreia e hipotensão, sendo submetido a intubação orotraqueal e ventilação mecânica sob uso de Fentanil/Midazolam. Necessidade de atropina e noradrenalina 1,07mcg/min. Após 48h, apresentou oligúria e colúria, hipernatramia (Na 150) e aumento na proteína C reativa (PCR = 48). Manejado com hidratação intravenosa e ceftriaxone, por suspeita de pneumonia aspirativa. Extubado no quarto dia ainda com episódios de confusão mental, intercalando períodos de agitação e desorientação, quadro este que persistiu até o oitavo dia. Recebeu alta hospitalar, sem alterações clinico laboratoriais após 11 dias de internação. Laboratório (quinto dia): TGO 148, TGP 157, gama GT 149, BD 1,77, BI 1,42. K 3,0, Sorologias para hepatites virais: não reagentes. Laboratório (oitavo dia): creatinofosfoquinase fração MB (CK-MB = 227) e creatinofosfoquinase (CPK = 855. Identificação do cogumelo por Micologista: Amanita muscaria.

Conclusões/Considerações Finais

A Amanita muscaria é bastante conhecida pelos efeitos alucinógenos, mas contém substâncias químicas potencialmente severas a depender da estação da colheita, modo de preparo e quantidade ingerida de cogumelo. Os estudos associam o maior número de intoxicações pela A. muscaria com a disseminação de receitas de preparo do fungo para o uso recreativo. Desse modo, devemos estar atentos no atendimento inicial à possibilidade de intoxicação em pacientes que chegam ao atendimento médico apresentando sintomas colinérgicos. Uma vez confirmado a história da ingesta, a lavagem gástrica precoce pode ser determinante para reduzir a absorção dos alcalóides tóxicos. O tratamento com atropina não é consenso na literatura, mas pode ser um forte aliado no tratamento dos pacientes graves, reduzindo os sintomas muscarínicos.

Palavras Chave

Amanita muscaria, intoxicação, muscarinicos, alcalóides tóxicos, atropina,

Área

Clínica Médica

Instituições

UFSC - Hospital Universitário - Santa Catarina - Brasil

Autores

JARDEL JACINTO, DANILO HANTSCHICK FERNANDES MONTEIRO, ADRIANA MELLo BAROTTO, GABRIELA COELHO ITAYA