16º Congresso Brasileiro de Clínica Médica

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Dados do Trabalho


Título

Hemicoreia-hemibalismo em paciente coinfectado HIV-Neurotoxoplasmose refratário à terapia padrão: um relato de caso

Fundamentação/Introdução

A probabilidade de desenvolver toxoplasmose em indivíduos portadores de HIV em uso irregular de Terapia Antiretroviral (TARV) e baixa contagem de linfócitos TCD4 chega até 30% e a hemicoreia-hemibalismo pode ser a apresentação inicial nesses indivíduos.

Objetivos

Descrever um caso de hemicoreia-hemibalismo em paciente portador de HIV e neurotoxoplasmose, refratário à terapia inicial com sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP), persistindo com quadro neurológico mesmo após controle do processo infeccioso.

Delineamento e Métodos

Paciente masculino, com diagnóstico de HIV há 10 anos e abandono de tratamento há 7, atendido na emergência com quadro de distúrbio do movimento caracterizado por movimentos involuntários dos membros, espasmos em terço inferior da face e desequilíbrio ao caminhar, associado a tontura, cefaleia e alteração do estado mental. À admissão, realizado tomografia de crânio que mostrou hipoatenuação das regiões núcleo-capsulares, com edema na região subinsular, tálamo e pedúnculo cerebral direito. Ressonância Magnética de encéfalo evidenciou processos expansivos parenquimatosos nos globos pálidos e hemisfério cerebelar esquerdo, com mínimo realce pós-contraste e edema vasogênico, achados compatíveis com infecção pelo Toxoplasma gondii. Neste momento, apresentava carga viral de 1.267.342 cópias/ml de RNA-HIV com contagem absoluta de linfócitos TCD4 de 2,7/mm3. Iniciado tratamento para neurotoxoplasmose com SMX-TMP, associado a dexametasona e, duas semanas após, iniciado TARV. Paciente evoluiu com melhora clínica, recebendo alta hospitalar com orientação de retorno para seguimento ambulatorial. Dois meses após, retornou ao serviço com queixa de persistência de hemicoreia-hemibalismo e alterações na marcha. Coletado exame de LCR, sem anormalidades; carga viral 93 cópias/ml de RNA-HIV; contagem absoluta de linfócitos TCD4 7,5/mm3. Realizada nova tomografia de crânio que mostrou diminuição do nódulo hipodenso, descrito em exame pregresso, e calcificações em permeio, aspecto relacionado a status pós-tratamento. Optado por iniciar ácido valproico, paciente evoluiu com melhora progressiva, recuperação da marcha e de movimentos finos, como a escrita.

Resultados

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Conclusões/Considerações Finais

Dada a alta incidência de pacientes coinfectados com HIV-Neurotoxoplasmose e possível gravidade do caso com risco de complicações irreversíveis, o presente relato tem como objetivo descrever um caso de difícil controle de sintomas neurológicos neste perfil de paciente.

Palavras Chave

Distúrbios do movimento; Hemicoreia-Hemibalismo; Neurotoxoplasmose; HIV.

Área

Clínica Médica

Instituições

IMIP - Pernambuco - Brasil

Autores

LORENA NUNES BEZERRA, MARCELA DOS SANTOS ARRUDA, MIRIAM BARRETO BAIÉ, LETÍCIA GILVANA DO NASCIMENTO SILVA, ANA CAROLINA VIEIRA SELVA